sexta-feira, 14 de março de 2014

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Um belo dia você acorda e se dá conta que está cansado. Você se cansa da cidade, dos carros, das luzes. Se cansa do lixo, das pessoas, do barulho. Se cansa de não saber para onde ir, de não ter para onde ir e precisa ir para algum lugar. Você se cansa de não ter razão, de não ter caminhos, de não ter opções, se cansa de ver a sua vida se tornando igual a de todos os outros, se cansa de ser de um rebanho sem pastor. Tu se cansa dos chefes, dos deuses, dos impostos, da moda e dinheiro. Tu se cansa da sensação de estar desperdiçando seu tempo, se cansa de não ter tempo algum para desperdiçar. Se cansa de viver em um mundo onde quem não se sente desesperado, está louco. Você se desespera com medo de enlouquecer. Respira fundo, acende um cigarro. Tu se cansa de não saber exatamente o porque está cansado. Se cansa do ''alguma coisa está errada'' que paira no ar desde a época que você não se lembra. Se cansa das avenidas, das ruas, das alamedas, das praças, do sol, dos postes, das placas de sinalização, das buzinas. Se cansa dos amores incompletos, dos amores platônicos, de falra de amor, de excesso disso e daquilo. Cansa do ''rabo entre as pernas'', da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do ''a vida é assim mesmo''. Você se cansa de esperar, de rezar, de ter esperança, de aguardar, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono. Cansa a quantidade de falsidade, de hipocrisia, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, injustiça, de coisas tão vazias e supérfluas, se cansa da busca impossível e infinita de algo que não sabemos o que é. Se cansa da sensação de não poder parar. E você não para, até que esteja morto.

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